Blackfish: Documentário mostra (a triste) realidade de orcas em cativeiro

BLACKFISH-posterSei que este blog não é de cinema, mas isso não nos impede de recomendar uns filmes sérios  bons por aqui. A linda da Netflix tem em seu catálogo o muito bem falado “Blackfish”, que conta a história de orcas mantidas em cativeiro e em especial a orca Tilikum, mantida pelo Sea World. O documentário traz depoimentos de diversos ex-treinadores do parque, especialistas em orcas, neurologistas e até mesmo de um pescador que ajudou a capturar Tilikum. O filme é triste (é bem difícil não chorar), mas também nos abre os olhos para o que a gente nem imagina (ou prefere não imaginar) sobre o que acontece nesses lugares.

Há 29 anos Tilikum foi retirado do mar na Islândia e é mantido em cativeiro. Sua primeira “casa” foi um tanque no mar da Colúmbia Britânica, de onde ele foi comprado pelo Sea World depois de atacar uma das treinadoras.

Antes do ataque, Tillikum passou a noite trancado numa espécie de caixa flutuante com duas outras orcas, sem luz e sem espaço. Ele também era constantemente privado de comida para que fosse enganado em se dirigir para a tal caixa durante a noite porque o parque tinha medo que alguém libertasse as orcas rasgando as redes que as mantinham ali.

O Sea World quis Tilly mesmo após a morte da treinadora para usá-lo como reprodutor. Desde 2002 eles recolhem e usam o sêmen do animal em inseminações artificiais. Ele já teve 21 “filhos” desde que está no cativeiro, 11 continuam vivos, dois são produtos de inseminação.

Lá, no parque da Flórida, ele teve um início difícil. Frequentemente apanhava das outras orcas quando ficava no mesmo tanque, é que Tilly era o único macho e as orcas são matriarcais. Na época, o Sea World não contou aos novos treinadores que ele tinha atacado a antiga, a culpa foi colocada na jovem e sua morte foi chamada de “erro de treinador”. Apesar do ataque, ele recebeu treinamento, carinho e virou uma das principais atrações do parque.

Em 2010, Tilly voltou a virar notícia depois de matar a experiente treinadora Dawn Brancheau. Primeiramente, o Sea World alegou que ela foi pega pelo rabo de cavalo, o que para antigos treinadores significa que o parque tentou colocar a culpa na treinadora, já que o cabelo poderia distrair os animais. Testemunhas confirmaram que Dawn foi pega pelo braço.

No vídeo do momento, é possível ver o animal atender todos os comandos da treinadora até que ele repete um comando sem parar ao som do sinal do apito. Segundo outros treinadores, é possível que ele não tenha escutado e por isso seguiu fazendo. Como não fez o esperado, Tilly não recebeu a mesma quantidade de comida e nem os carinhos da treinadora. É comum que os animais recebam um tratamento diferente, uma espécie de “gelo”, quando erram um comando.

Tilikum no Sea World: a barbatana dobrada não é normal

Tilikum no Sea World: a barbatana dobrada não é normal

Eu poderia discorrer sobre tudo que aprendi vendo o filme aqui no blog, mas é melhor você mesmo conferir. O documentário usa a história de Tilikum como fio condutor para mostrar as atrocidades e mentiras deslavadas de um dos parques mais bem sucedidos do mundo e como ele foge de obrigações com os animais e com seus treinadores. É difícil não se indignar com o que é feito no Sea World e, no meu caso, não se sentir culpado por já ter estado lá.

A diretora Gabriela Cowperthwaite consegue causar um efeito perturbador no público ao explorar muito bem as confissões e arrependimentos dos ex-treinadores, que toparam falar e mostrar seus vídeos pessoais. O filme funciona como alerta e não é apenas um ataque de ativistas ao parque americano. Fica claro nos pontos mostrados que tudo que Gabriela quer é mostrar ao mundo o sofrimento dos animais por trás dos shows e dar voz à causa.

Em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, Gabriela contou que os dirigentes do Sea World só se pronunciaram depois que o filme foi muito bem recebido no Festival de Sundance. Além disso, a repercussão fez com que artistas cancelassem aparições  atrapalhando a comemoração de 50 anos do parque. Segundo ela, a frequência dos visitantes nos parques caiu 6% em relação ao último ano.

Depois do filme, foi criada a campanha #FreeTilly para recolher um milhão de assinaturas e fazer a causa ser mais conhecida pelas pessoas. Infelizmente, o Tilikum já não pode mais ser devolvido ao mar depois de tantos anos de cativeiro, mas ele pode ser colocado num tanque maior no mar para que passe o resto de seus dias em uma espécie de reabilitação marinha e  não tenha mais que se apresentar ou ser usado como reprodutor. Para as orcas mais novas, é possível a devolução ao oceano.

Se você gostar do filme e da causa, faça como eu e assine a petição, recomende o filme, fale sobre isso, esqueça a visita ao Sea World. Ensine que a vida marinha é ainda mais linda no seu habitat natural.

Para assinar a petição: http://www.change.org/petitions/seaworld-inc-humanely-release-the-orca-whale-known-as-tilikum-to-a-seapen-for-rehab

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Sobre Tati Regadas

Jornalista, viciada em séries e cultura pop.

Publicado em 29/03/2014, em cinema e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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