O dia em que entrevistei Lindsay Lohan

liloTem coisas nessa vida que a gente até sonha, mas não imagina que vá acontecer. Entrevistar Lindsay Lohan se encaixava exatamente nessa categoria. Há quatro anos cobrindo famosos eu nunca pensei que chegaria o dia em que eu estaria cara a cara com a atriz. Mas  quis o destino e a conta bancária quase zerada de Lilo que ela viesse ao Brasil, assim, meio do nada (afinal a rehab tá batendo na porta dela de novo). E lá fui eu correr atrás.

Depois de horas  e mais horas ouvindo as várias audiências que Lindsay precisou comparecer nesses últimos anos, notas quase diárias sobre suas baladas mundo afora, os problemas com a família, as rehabs, as críticas, os problemas financeiros, eu deveria estar mais que pronta para entrevistá-la, mas o problema é que eu estava muito nervosa.

Já participei de coletivas, já fiz perguntas meio inconvenientes para famosos, mas ter alguns minutos de cara com a Lindsay estava mexendo com meus nervos. Tudo que eu conseguia pensar era em todas as manchetes que a Lindsay já rendeu, que ela já sentou no sofá do Jay Leno, que ela era a Menina Malvada, que ela é assunto mundial e que o mundo inteiro quer saber da vida dela.

Devidamente credenciada e com as perguntas na cabeça e no papel (vai que dá branco) eu me juntei a outros jornalistas na espera que durou três horas e meia. Tempo suficiente para os reportinhos (“presos” no saguão do prédio da grife que trouxe a atriz) debaterem sobre os termos da condicional de Lindsay, contarem da própria vida, dormirem (acha que ser jornalista é fácil?) e,  é claro, se irritarem com o atraso absurdo: “Quem ela pensa que é?”, disse uma colega #xatiada no grau máximo.

Fui a última a deixar o saguão rumo a entrevista. Até chegar a minha vez, eu vivi a ansiedade cada minuto com os relatos dos primeiros: “Se preparem”, “O empresário está selecionando as perguntas”, “Ela quis ler as minhas perguntas”, “Não pode falar de rehab”, “Ela não quis responder sobre isso”, “Ela não quer posar”, “Ela colocou a mão no rosto e não quis tirar mais fotos”… Tudo indicava que não seria uma entrevista fácil.

Quando cheguei no andar da entrevista ela ainda estava terminando outra e a assessoria da grife pediu que nós  não assistíssemos. Ficamos numa sala ao lado por mais alguns minutos até que nos informaram: “Ela vai receber vocês agora”. Ui!

Foto: Iwi Onodera/EGO

Sorridente, Lindsay levantou para falar comigo e  com a fotógrafa: “Hi, I’m Lindsay”. A cumprimentei, deixei que ela posasse para as fotos da matéria e me sentei numa poltrona em frente ao sofá onde estavam as coisas dela, o que pareceu a deixar desapontada: “Ah, você vai ficar aí?”. Disse que faria onde ela achasse melhor e ela respondeu educada: “Não, onde você se sentir confortável”. Continuei na poltrona e comecei a entrevista.

Lindsay respondeu todas as minhas perguntas (já editadas para não tocar em assuntos muito delicados), fez piada quando perguntada se falam muito de sua vida: “Não! Você acha?”, desabafou dizendo que gostaria que falassem mais do seu trabalho e terminou posando para fotos comigo (eu não resisti) e com as pessoas da grife que acompanharam as entrevistas.

Apesar do clima bom,  me peguei com pena dela ao final da entrevista. Queria ter perguntado: “Mas como as pessoas vão falar do seu trabalho se você não para de se meter em problemas?”, queria ter dito que tem gente que torce por ela (eu, inclusive), para ela focar nessa rehab e nos trabalhos que voltou a fazer e deixar de lado essa gente estranha e sanguessuga que a cerca, queria ter dito que eu não quero ter que noticiar a morte dela num futuro próximo.

Ali, sentada na poltrona de frente para o rosto já botocado aos 26 anos, ouvindo a voz rouca do cigarro e das noitadas e vendo os braços fininhos e os roxos nas pernas por causa de outras drogas, percebi que Lindsay não é uma rockstar, não é interessante porque tem um jeito porra louca e isso de certa forma faz parte da sua arte, ela não é um desses gênios indomáveis de Hollywood, ela não é a versão moderna da Marilyn Monroe (embora queira acreditar que sim).

Lindsay gera tanto interesse porque não foi capaz de superar seus problemas (difícil sair ileso com uma família daquelas) e destruiu uma das carreiras mais promissoras da sua época transformando a própria vida num circo, em que o mundo aposta quando ela vai colocar tudo a perder. É triste.

Diante dela, meu nervosismo não fazia mais sentido porque ela ainda é, de certa forma, criança. Lilo quer ser abraçada pelo mundo todo, sonha, quer receber carinho e atenção e não entende por que insistem em só “dar bronca” e falar das coisas feias que ela faz. Era ela quem estava nervosa, que queria acertar.

O problema é que Lindsay só vai acertar quando começar a se ajudar.

A entrevista você lê aqui: http://glo.bo/11T4Su7

Anúncios

Sobre Tati Regadas

Jornalista, viciada em séries e cultura pop.

Publicado em 02/04/2013, em atriz e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Nisso de querer ser aceita, acertar etc ela é sim a versão moderna de Marilyn Monroe. O final da vida desta a gente já sabe como foi… Esperamos que Lindsay consiga se recuperar a tempo.

    Beijos e parabéns!!

  2. Po, muito legal! Parabéns!

  3. Acho que no final é isso….vemos “eles” como seres inatingíveis,mágicos e acima de muitas coisas, mas na verdade a realidade deles muitas vezes são piores que a nossa!!
    Pressão, fama, padrões de beleza, familiares do mal e más companhias estragam qualquer carreia, uma pena, gosto muito da Lindsay!!

  4. Torço muito para que ela se encontre um dia e de continuidade à promissora carreira de anos atras.

  1. Pingback: O melhor e o pior do mundo pop em 2013 | Bolha Pop

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: